Por aqui andam diabinhos à solta
Com corninhos e rabinhos e falinhas de paraíso.
Por aqui andam bruxinhas em volta
Esvoaçando, cavalgando em vassourinhas sem juízo.
Portugal, nove milhões de humanos.
País de florestas e de rios
País de montanhas e de praias,
De adufes, fraitas e tambores
País de províncias, distritos e concelhos
País de freguesias, de cidades, vilas e aldeias.
Portugal, de capital Lisboa.
É pena capital: pena seres apenas
A cabeçorra gigantesca e mal pensante
Que nasce entre as pernas do Tejo.
É pena capital: pena que em ti
Se escrevam os livros da incultura,
Que em ti se defina a liberdade
Em bocas libertinas
Portugal:
País fardado à força,
País forçado à farda,
País fadado à forca.
(…)

Banda do Casaco, Hoje há Conquilhas, Amanhã não Sabemos, 1977
Obrigado, Zé.




Vestia era o casaco desta banda. Para irmos apanhar conquilhas.
Se não tiveres o som por aí à mão, avisa.