Ela dizia: “já caminhei demais, tenho o coração pesado de tantos segredos, tantas dores”. Ela dizia: “não continuo; o que me espera já o vivi. É inútil!” Ela dizia que viver é cruel, já não acreditava no sol nem nos silêncios das igrejas; e mesmo os meus sorrisos assustavam-na. Era Inverno no fundo do seu coração.
O vento nunca foi tão gélido, a chuva mais violenta que nessa tarde, a dos seus vinte anos. A tarde em que ela extinguiu o fogo por detrás dos seus olhos num clarão branco. Tenho a certeza que ela subiu ao céu, brilhando ao lado do sol, como as novas igrejas; mas se, desde essa tarde, choro é porque está frio no fundo do meu coração.
Francis Cabrel, Les chemins de traverse, 1979
Feliz Páscoa!




Feliz Páscoa também para ti!
E quando faz frio no fundo do coração dói tanto…
Intenso, o texto.
Espero que a tua também tenha sido de paixão, Maria.
Por isso é que, quase 30 anos depois, continuo a gostar de a ouvir, Vague.