Leio o que o Gabriel postou sobre as coerências da política de protecção à natalidade e, embora não seja caso único, não deixo de me espantar.
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Prática e discurso
Hoje
No GAVE, que é uma estrutura do ME, alguém se distraiu e deixou passar este panfleto político para o exame de Português de 12º ano:
E ponde na cobiça um freio duro,
E na ambição também, que indignamente
Tomais mil vezes, e no torpe e escuro
Vício da tirania infame e urgente;
Porque essas honras vãs, esse ouro puro,
Verdadeiro valor não dão à gente:
Milhor é merecê-los sem os ter,
Que possuí-los sem os merecer.
Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto IX, estrofe 39
Nem de propósito
Depois desta minha incursão pelos Lusíadas, isto:
A grande invasão
Estamos no ano 2008 depois de Cristo (e no ano 1 depois de um brasileiro chamado Tiuí ter improvavelmente demonstrado que para marcar golos não é preciso, e às vezes só atrapalha, ter a mínima ideia do que seja jogar futebol).
Toda a Portugália está ocupada por uma coisa meio suíça meio austríaca dita “Europeu”. Toda? Não! Uma pequena aldeia de 1100 caracteres na última página de um jornal do Porto resiste ainda e sempre ao invasor.
Que digo eu? Ainda e sempre? Não. Até hoje, dia em que a foto a cores de um tornozelo foi manchete em todos os jornais e televisões de referência ou ainda menos.
Depois de ter resistido estoicamente às notícias de que a selecção comeu salmão e que o linguado que lhe foi servido num hotel suíço foi “adquirido no mercado local”, e até àquela de que “o presidente da República vai ter a honra de cumprimentar os nossos jogadores”, a irredutível aldeia portugaulesa, cabisbaixa, rende-se.
Como Gary Cooper cercado de índios por todos os lados na “charge” de Juca Chaves, que pode ela fazer para não ser acusada de antipatriotismo senão transformar-se também em índio?
E o faltoso sou eu?
Depois da recente aproximação por parte dos deputados da maior bancada desta legislatura, eis que os líderes do campeonato das faltas voltam a recuperar para uma vantagem confortável que lhes deve garantir a taça.
Tudo serve
Quando se trata de justificar a injustificável falência das políticas económicas. Este ano, a culpa é da Páscoa e da sua antecipação para o primeiro trimestre.
Vá! Soltem lá o bode no deserto.
Depois de morto, é um subproduto de origem animal.
A crise económica e social actual tem dois principais responsáveis: os políticos e os empresários. Que pena que eles não façam compras nas grandes superfícies ao fim-de-semana.


Assim vai o século
Nesta West Coast (WC para os amigos) planted on the shore, apenas o PCP e o BE (o CDS era inevitável) defendem o dia do Senhor.
Portugal Alcatifado
Temos táxis e hóteis
Temos pontes e bordéis
Temos ceguinhos e trutas
Bolachinhas ararutas
Temos castelos nos montes
Temos tractores e fontes
Temos incineradoras
Temos morenas e louras
Emigrantes em França
Temos muita insegurança
Temos o 13 de Maio
Temos queijo e temos paio
Temos um céu sempre azul
Temos S. Pedro do Sul
Temos um rei que não é
Lavamo-nos no bidé
Deputados às dezenas
Contas bancárias pequenas
As pinturas do Malhoa
As gravuras de Foz Coa
As pinturas do Malhoa
As gravuras de Foz Coa
Temos a lei do aborto
Temos Lisboa e o Porto
Temos populações iletradas
E prisões superlotadas
Temos cada vez mais estradas
Muito mal pavimentadas
Lixeiras a céu aberto
E meio país deserto
Temos muitos tubarões
E buracos de milhões
Portugal alcatifado
Bebe o vinho e canta o fado
Portugal alcatifado
Bebe o vinho e canta o fado
Ena Pá 2000
Agora, o despedimento é simplex.
Previsões próximas
A sinistralidade educativa tende a agravar-se.
Contas que o IRS tece
Descobri que, em 2007, recebi um euro e seis cêntimos diários a mais do que no ano anterior. Ilíquido, claro!
Acho que é desta que vou dar uma volta ao mundo…
40 anos já
E a praga não se extinguiu.
Ser contra a eutanásia
governativa, tem os seus inconvenientes…





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